David, amigo..
Como no conto de Borges, seu ilustre conterrâneo, começo agora a saber o que significa ser um último homem. O homem dele foi o último a ter posto os próprios olhos sob um ritual pagão do velho mundo saxão. Já eu, sou aquele cujos ouvidos pousaram atenção em toda potência de uma música que compusemos juntos… Guardarei comigo, até que eu também desapareça, a voz característica daquela cantora que imaginávamos e o solo de trombone que só nós dois ouvimos.
Publico a letra, pois a harmonia se foi contigo.
Carcará
Olha esse céu
É o que ficou pra trás
Lembro de você e do carcará
Voa pra cá
Vem pra me levar pra amar (vem!)
Poucos são seus sonhos
Mas posso sentir
Você sofrer por mim
Não sei se devo entristecer
Me perco,
Tropeço e acelero
Posso voar
Ah! Queria ser o caracará.
Não que ele veio?
(Que veio enfim)
Pena que não ficar
Porque tem que ser assim?
Mas porque tem de ser assim?
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