O valor da inteligência - Em defesa dos fortes.
Carta enviada a Adriana F. Martinez, minha amiga e mentora, comparando o valor da inteligência na antiguidade grega com a cultura judaico-cristã:
obs.: Fiz pequenas correções e incrementos da versão original, mas está completa.
Dri,
Lembro de ter lido em algum livro do Nietzsche algo que, se já comentei contigo, merece, me parece, ser recordado. Era mais ou menos assim: ele estava discutindo o valor da inteligência, fazendo um quadro comparativo entre os antigos gregos e os cristãos.. ele mostrava como o atributo “inteligência” era, na antiguidade, apenas uma espécie de ornamento à personalidade, enquanto, para os cristãos (judaico-cristãos, se não me engano), havia se tornado uma “virtude”… e talvez o mais alto atributo dos homens. Claro que podemos facilmente notar na cultura judaico-cristã essa glorificação da inteligência, sendo, inclusive, considerada parâmetro de diferenciação entre o mundo humano e o natural, mas o que achei mais interessante foi a análise do Nietzsche sobre esse atributo: ele afirma a natureza sombria da inteligência, como de um animal que vive nas sombras, se escondendo. A inteligência é furtiva, sobrevivendo fora do alcance da visão, para tirar vantagem de sua invisibilidade, com tempo para tramóias… a inteligência é estratégica.
No mundo grego, portanto, explica ele, não poderia ser considerada uma virtude soberana: fazia muito sol naquelas ilhas para que a inteligência pudesse vencer a “vontade de beleza” daquelas pessoas. A coragem era um atributo visível, generoso, que se fortalecia na medida em que pudesse ser mais evidente: a coragem, aliás, é o próprio mostrar-se, talvez irmã gêmea do risco. A inteligência não serve tanto aos heróis quanto a coragem e “inocência”.
Mas a inteligência, esse atributo de quem se esconde, dos “covardes”, posteriormente tomou à frente: realmente, como ele afirmou, é preciso defender os fortes dos fracos..
Lembrei disso enquanto tentava imaginar sua infância.. coisas de psicólogo? Deve ser.
Imaginei você próxima ao mar.. e o mar é sempre o mesmo.. circundando tudo, aberto e imprevisível.
É com o mar que se aprende a ter respeito.
Há um momento, quando tentamos descer uma onda de barriga, impulsionados pela água, em que o mar parece domado, como se estivéssemos montando um cavalo distraído.. mas, em um lapso de tempo, sentimos nossas pernas puxadas por mãos invisíveis e depois somos chacoalhados vigorosamente no interior da mesma onda que nos embalava.. quando cessa, meio atordoados, pisamos o chão, elevamos a cabeça á superfície.. enxugamos os olhos e olhamos para o lado: ninguém.. nenhum propósito.. nada nem ninguém em que possamos nos vingar.. apenas a água, convidativa.. sedutora.. como a vida. Mas há pessoas que nunca saberão o que é estar vivo.
Beijos.
Rodrigo
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Setembro 17th, 2008 às 09:28
cara… você abriu um brog e nem me falou nada!… mancada…
=)
brincadeira/
Então. segunda feira fui a uma pequena praia que chamam de “tamarama” após um mergulho em aguas congelantes sentei numa pedra e fiquei observando oum cachorro que estava indignado com as ondas tentando morde-las… ele provavelmente tenta abocanha-las toda vez que vai a praia… hehe realmente persistente.
Parabéns pela iniciativa do blog..
frequentarei, acredite.
abx
Setembro 22nd, 2008 às 19:02
Amor,
quem dera ainda tivessemos estas duas opções, dependendo do trópico em que nos encontramos! O problema é que no atual momento devemos ser CORAJOSOS e INTELIGENTES. E quem não consegue responder por ambos, está muito suscetivel ao sofrimento. É melhor olhar para a vida e rir dela e de si mesmo.
beijos, Seja bem vindo