“E mora em roma” (por David Prieto)

Fevereiro 10th, 2009 de admin

E mora em Roma.

Amar a distancia é ao mesmo tempo uma doce e amarga loucura.
Na nuvem que insiste em acompanhar o exilado amante, o odor da dor paira
e ali vive com o amor que mora em Roma, quiçá num amargo ramo de romã
que, por trás da encantadora beleza, resguarda em sua seiva traiçoeiro fel,
sangrentos espinhos e um fruto doce mas repleto de indigestas sementes.
Féleo e fendido transforma-se o distante em um indígite indignado que pelo
caminho as defeca intactas junto a um promissor bolo propício à reprodução
de sua espécie.
Assim, sendo de reinos distintos e de naturezas tão adversamente avessas,
não lhe foge do pensar o quão insano é aquele que tem amor ao amargo ramo
de uma romã que em Roma vive.

David Prieto

O poema foi enviado a mim pela Adriana. Não tive conhecimento prévio. Gostaria só de fazer um observação quanto ao estilo do David, e isso vale para sua música também. Ele parecia ter um fascínio por jogos de palavras e números. Frequentemente fazia quadrados mágicos, gostava da brincadeira entre significados e ordenação de signos.. de embaralhar sem deixar de expressar, de parecer fora do tom e estar, na verdade, no limite da tonalidade. Ele realmente viveu no limite e acho que deixou para nós, além da enorme saudade, uma espécie de puzzle. Cada um que monte como puder. Para um saber fronteiriço é preciso poder se equilibrar, ou cair. O que não dá é pra viver encarcerado. Roma, amor. Romã!

R.P.

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