Pessoa.

Março 30th, 2009 de admin

“Reconheço hoje que falhei; só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. Que havia em mim que prognosticasse um triunfo? Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa dos loucos… Era lúcido e triste como um dia frio.”

Parte do “Livro do Desassossego” (319) de Fernando Pessoa

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Definitivamente - por Hugo Adrián

Fevereiro 19th, 2009 de admin

Definitivamente

Definitivamente, não preciso existir.
Se existe o produto de minha ausência em arte
E fizesse calar minha voz o verso
Meu olhar fosse o seu ao livro no prelo
Deixaria as linhas de meu destino no desatino da leitura
Da literatura minha e que por mim vive
Surra, urra, lânguida aparece de repente
Sem presença de vida
desvia a poesia uma cara oculta
A aparência nula, a repetição absurda
O sentido desdobrando em mais sentidos,
A máscara forçada à palavra usada
A lâmina suave rasgando a garganta
Fera de posições contrarias ao poente
Fera solta na prisão do corpo todo
Feito espectro inútil em fúria
Um lampejo de idéia escapa e retém brevidades
E retém no fim a apoteose das matérias do que resta
Resta pó e silêncio, resta a brisa em movimento
Saudações aos povos das ruínas,
que juntam pele entre as unhas
estão fatigados de signos,
numerando sem números a quantidade de mortos
a atravessarem o lençol maculado estendido
sobre alcova da história
sob a escassez da vida,
como sopro último do moribundo que fui…

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Todo esse lirismo, essa transvaloração, esses cantos do autor parecem jorrar inesgotáveis. Ser poeta não é escrever, é também encontrar na palavra a possibilidade da poesia. Sou muito grato ao destino por poder ouvir essa voz desse meu amigo, que não comunica: trás.

Tem mais.. tem muito mais de onde veio esse. Esse e alguns outros estão no mais recente blog do autor aqui.

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“E mora em roma” (por David Prieto)

Fevereiro 10th, 2009 de admin

E mora em Roma.

Amar a distancia é ao mesmo tempo uma doce e amarga loucura.
Na nuvem que insiste em acompanhar o exilado amante, o odor da dor paira
e ali vive com o amor que mora em Roma, quiçá num amargo ramo de romã
que, por trás da encantadora beleza, resguarda em sua seiva traiçoeiro fel,
sangrentos espinhos e um fruto doce mas repleto de indigestas sementes.
Féleo e fendido transforma-se o distante em um indígite indignado que pelo
caminho as defeca intactas junto a um promissor bolo propício à reprodução
de sua espécie.
Assim, sendo de reinos distintos e de naturezas tão adversamente avessas,
não lhe foge do pensar o quão insano é aquele que tem amor ao amargo ramo
de uma romã que em Roma vive.

David Prieto

O poema foi enviado a mim pela Adriana. Não tive conhecimento prévio. Gostaria só de fazer um observação quanto ao estilo do David, e isso vale para sua música também. Ele parecia ter um fascínio por jogos de palavras e números. Frequentemente fazia quadrados mágicos, gostava da brincadeira entre significados e ordenação de signos.. de embaralhar sem deixar de expressar, de parecer fora do tom e estar, na verdade, no limite da tonalidade. Ele realmente viveu no limite e acho que deixou para nós, além da enorme saudade, uma espécie de puzzle. Cada um que monte como puder. Para um saber fronteiriço é preciso poder se equilibrar, ou cair. O que não dá é pra viver encarcerado. Roma, amor. Romã!

R.P.

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Poema de amor.

Dezembro 6th, 2008 de admin

René M. Rilke, nas famosas cartas ao jovem poeta alertava seu pupilo sobre os riscos de escrever poemas de amor. “Quase tudo já foi dito sobre o tema e de maneira virtuosa”, afirmou. O mestre recomenda então que se debruce, o iniciante, sobre temáticas menos exploradas na poesia; risco menor de rejeição.
Borges também, que talvez não se aceitasse poeta tanto quanto parecia se divertir como uma espécie de cronista da memória – e devemos nos apartar da indagação sobre a conexão entre memória e qualquer noção de realidade (objetiva ou subjetiva) nesse ponto – dedicou algum tempo esquadrinhado metáforas e montando quadros um tanto enfadonhos de lugares-comuns da poesia através dos tempos. Claro que os poemas de amor entraram na dança.

Mesmo assim, sob pena de passar ridículo - de antemão absolvido – registro abaixo meu delírio:

Nós dois somos artistas

E é daí que nasce nosso amor e nosso ódio.

Tu amas minha delicadeza exata, que te surpreende num momento impróprio; ama minhas palavras que reviram este mundo em outro.

Eu amo como te enfeitas, tu que já és beleza, e faz-se ainda mais bela para me ver gozar. Amo a maneira como lutas para domar as impressões dos que te cercam.

Tu amas minha fúria em defender-me. Eu amo seu amor condescendente, não menos egoísta que o meu.

Mas nós dois somos artistas.. e por mais belos que nos façamos, tudo é um truque entre nós e o indizível se contempla sob cada brecha entre os véus estendidos.

Então odeias quando me faltam as palavras e a minha rispidez lhe salta ao pescoço. E te odeio porque não podes deixar de odiar a ti mesma por não fazer-me amar-te.

E tudo, queremos, seja nossa obra: nós mesmos, nos mínimos detalhes. Nossa casa, em todo canto ou peça. Nossas palavras, em cada canto ou silêncio. Nossos corpos e seus retorcidos gestos e cada cicatriz. Até que se nos apresente a intuição do futuro e deite sobre nós um cansaço… de artista. Aquela exaustão de quem se sabe insubstituível.

Então… num disparate do tempo, abandonaremos a obra? Entregaremo-nos ao amor vulgar dos que vivem sem razão, sem paixão?
Não.
A obra, nosso amor, que se arrebente no chão!

Que vire ruína ou sirva de aterro à nossa nova invenção.

R.P.

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Frank Zappa e Bruce Bickford - dupla dinâmica

Novembro 14th, 2008 de admin

Zappa e Bickford em mais um trabalho alucinante.

O clip está hospedado no site mtvmusic.. tem muitos clipes lá.

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“Matando rato pá cumê!”

Novembro 13th, 2008 de admin

Deixo aqui mais uma música. Fiz essa grande descoberta de Sérgio Sampaio pela música “Pareço Moderno” do Cérebro eletrônico (video do post abaixo).
Essa música chama “Velho Bandido” e devo confessar que foi bem difícil escolher uma só para postar aqui. portanto recomendo uma busca pela web por outras.. não faltam obras primas do cara. Cada música uma punhalada.

Mais informações sobre Sérgio Sampaio no site http://www.sergiosampaio.com

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Pareço Moderno

Outubro 7th, 2008 de admin

Vídeo da música “Pareço Moderno” da banda Cérebro Eletrônico.

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Nina..

Setembro 29th, 2008 de admin

Nina Simone tocando “My Baby Just Cares For Me” de Gus Kahn, Walter Donaldson (1928)

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Sobre os links desse blog

Setembro 25th, 2008 de admin

Neste post vou comentar os links que disponibilizo no catálogo desse blog (canto esquerdo, abaixo do “arquivo”). Também criei uma página para manter os comentários organizados. Com o tempo vou completando os comentários. A página chama-se “Links” e está no menu de cima do blog.

Digital Poiesis
- digital poiesis

Blog recém criado por meus colegas de profissão – o André e o Mauricio - que divulga e serve de espaço de discussão sobre filosofia e tecnologia, sobre os impactos das novas midias no pensamento.

Hugo Adrián

- site do escritor

Hugo Adrián não só é um grande amigo, mas é também um poeta no sentido maior da palavra. Seu lirismo, sua capacidade de produção de imagens, seu estilo inquieto e arrebatador, podem ser apreciados nesse site em que ele reúne uma parte de seu intenso trabalho.
Atualmente em Montevideo, sua cidade natal, aprofundando seus estudos em literatura latino americana, temos nos falado pouco, mas nos comunicado como nunca. Segure-se na cadeira e boa leitura.

Malvados
- quadrinhos

O site do André Dahmer é um dos meus vícios na internet. Diversão garantida para os momentos em que ainda consegue rir do “nosso belo quadro social.”

Mozart Fernandes
- flickr do artista

Mozart Fernandes é um ilustrador de primeira. Dos grandes… dá uma comparada com o que puder achar na internet por ai e você vai ver sobre o que estou falando. O mais interessante que acho no trabalho dele, no entanto, é sua obsessão por um trabalho autoral que possa se sustentar no mundo. Eu sei, porque foi ele que me disse, e isso se torna muito claro com a convivência, que essa coragem tem uma fonte, um “objeto singular”, como diria Salvador Dali em relação à Gala, que é sua mulher Mônica Fernandes. Esse encontro ainda será glorificado por muitos como exemplo de potencialização de vida.
Não deixem de notar como seu trabalho articula os símbolos da cultura pop e urbana revelando uma delizadeza que já parecia impossível.
Vai lá e veja se concorda comigo: Diante de um mundo totalmente novo o que mais podemos fazer senão tentar se acalmar e assistir o que se passa em nós mesmos?

O trabalho deles na Vértices Cenografia e Design pode se visto no próprio site da Vértices ou no blog Profano.

Nu-Sol
- núcleo de sociabilidade libertária

O site do programa de pós-graduação em ciências sociais da PUS-SP, o Nu-Sol, é tanto um “colinho aconchegante” quanto um tapão na cara. Vou lá toda vez que quero me experimentar forte e leio uma “flecheira” (tem uma nova toda terça-feira). É o seguinte: você pode ler os jornais todos os dias e ficar uma pessoa muito séria, muito preocupada… ou você pode ler a flecheira e demolir a hipocrisia noticiosa com uma boa dose de ironia e desassossego. Depois a gente se encontra para fazer coisas mais interessantes.

Virtual Books
- livros gratuitos

Esse site tem algumas obras muito boas de domínio público. Às vezes me canso também de ler na tela do computador, mas é inegável o poder das ferramentas de pesquisa aplicadas ao texto que nos possibilita esse recurso.

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Mamy! Não quero seguir definhando sol a sol.

Setembro 20th, 2008 de admin

Vou na onda do Dahmer que postou o mesmo video no blog dos Malvados. Se ainda não conhece, vale a visita.

Chico Buarque e MP4. Falar o que?

Baioque
Chico Buarque

Quando eu canto, que se cuide quem não for meu irmão
O meu canto, punhalada, não conhece o perdão
Quando eu rio

Quando eu rio, rio seco como é seco o sertão
Meu sorriso é uma fenda escavada no chão
Quando eu choro

Quando eu choro é uma enchente surpreendendo o verão
É o inverno, de repente, inundando o sertão
Quando eu amo

Quando eu amo, eu devoro todo meu coração
Eu odeio, eu adoro, numa mesma oração, quando eu canto

Mamy, não quero seguir definhando sol a sol
Me leva daqui, eu quero partir requebrando um rock’n roll

Nem quero saber como se dança o baião
Eu quero ligar, eu quero um lugar
Ao sol de Ipanema, cinema e televisão

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